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O que é LACP?

O que é LACP: o protocolo IEEE que junta vários links físicos num único canal lógico (LAG) para somar banda e ganhar redundância — e por que um único fluxo ainda usa só um link.

Gabriel Pedroso9 min de leitura
O que é LACP?

Se você tem dois cabos de rede saindo de um servidor para o mesmo switch, dá para usá-los como se fossem um só. LACP (Link Aggregation Control Protocol) é o protocolo IEEE que negocia a junção de vários links físicos num único canal lógico — o LAG —, somando a banda agregada e mantendo a conexão de pé quando um dos links cai. A ressalva que quase todo mundo erra: essa soma vale para o conjunto do tráfego, não para uma conexão isolada. Cada fluxo continua passando por um único link.

Neste artigo você vai ver o que é o LACP, como ele negocia e distribui o tráfego, a diferença entre os modos ativo, passivo e estático, e o que a rede precisa ter para o protocolo funcionar sem surpresa.

1Links físicosduas ou mais portas ligam os mesmos equipamentos
2LACPDUos dois lados trocam mensagens e negociam o grupo
3LAGos links viram um único canal lógico (port-channel/bond)
4Balanceamentocada fluxo segue por um link, escolhido por hash
5Failoverse um link cai, o tráfego segue pelos que restam
Como o LACP monta um LAG: os dois lados trocam LACPDUs, negociam o grupo, cada fluxo é mapeado por hash para um link, e o tráfego se redistribui se um membro cai.

O que é LACP

O LACP é um protocolo de negociação que permite tratar várias interfaces físicas — placas de rede num servidor, portas num switch — como uma única interface lógica. Esse agrupamento é o LAG (Link Aggregation Group), e cada fabricante o batiza de um jeito: bond no Linux, port-channel ou EtherChannel na Cisco, trunk de agregação em outros.

Ele foi padronizado como IEEE 802.3ad e depois movido para o IEEE 802.1AX, que é a referência atual. O papel do LACP é a parte dinâmica dessa história: em vez de você amarrar os links na unha, os dois pontos conversam, confirmam que concordam sobre quais links entram no grupo e ajustam isso em tempo real. Essa negociação é o que separa o LACP de um LAG estático, configurado à força.

A ideia central é simples: mais links físicos trabalhando juntos entregam mais capacidade e mais tolerância a falha do que um cabo sozinho — sem precisar trocar por uma interface mais rápida e mais cara.

Como o LACP funciona

Os dois lados de uma agregação trocam mensagens de controle chamadas LACPDUs (Link Aggregation Control Protocol Data Units). É por elas que cada ponto anuncia quem é, para qual grupo pertence e confirma que o vizinho está vivo e de acordo. Se um link para de responder às LACPDUs, ele é removido do grupo e o tráfego passa a sair só pelos membros saudáveis — o failover acontece sem intervenção manual.

Cada interface pode operar em dois modos:

  • Ativo: o dispositivo envia LACPDUs de forma proativa, tentando formar o grupo.
  • Passivo: ele só responde quando o outro lado inicia a conversa.

Para o LACP subir, pelo menos um dos lados precisa estar em ativo — dois passivos ficam calados e nunca fecham o grupo.

Banda agregada não é banda por conexão

Aqui está o ponto que mais gera confusão. O LACP não empilha os links numa mangueira única mais larga. Ele decide por qual membro cada fluxo vai sair usando um hash calculado a partir de campos do tráfego — endereços MAC de origem e destino, IPs, portas TCP/UDP, dependendo do algoritmo configurado. Todo pacote de um mesmo fluxo cai no mesmo hash e, portanto, no mesmo link.

O efeito prático: um LAG com quatro links de 1 Gbps soma 4 Gbps agregados, mas uma cópia de arquivo entre dois servidores fica presa em 1 Gbps, porque é um único fluxo. O ganho real aparece com muitos fluxos — vários clientes, várias sessões, várias VMs —, que o hash espalha pelos membros. Por isso o LACP brilha em switches de acesso, hipervisores e servidores com muitas conexões concorrentes, e faz pouca diferença para uma transferência gigante e solitária.

ModoComo negociaDetecta falha/erro?Quando usar
LACP ativoEnvia LACPDUs proativamenteSimPadrão recomendado; pelo menos um lado precisa ser ativo
LACP passivoSó responde a quem iniciaSimO outro lado do enlace, quando um já está em ativo
LAG estático (on)Não negocia — força o grupoNãoSó se um dos lados não fala LACP; exige conferência manual

O que você ganha na prática

Na infraestrutura que eu opero, uso agregação por dois motivos concretos, e vale separar bem os dois:

  • Redundância que se resolve sozinha. Um link com defeito, um SFP que morre ou um cabo derrubado deixa de ser incidente urgente: o tráfego continua pelos demais membros enquanto você troca a peça com calma. Essa é, para mim, a razão mais forte para usar LACP — bem mais do que a banda.
  • Banda agregada para muitos fluxos. Um servidor que atende dezenas de conexões, um uplink entre switches ou um host de virtualização com várias VMs aproveitam de verdade a soma, porque há fluxos suficientes para o hash distribuir.
  • Manutenção sem derrubar tudo. Dá para tirar um membro do grupo, atualizar o firmware ou mexer no cabeamento e devolvê-lo, com o serviço no ar o tempo todo.

O que o LACP não faz: ele não acelera um download único, não substitui um roteamento bem feito e não é um recurso de segurança. Vi essa última confusão em texto por aí — LACP não previne ataques nem autentica usuário; a checagem de LACPDU serve para casar os dois pontos do enlace, não para blindar a rede.

Os nomes mudam conforme o fornecedor, o que atrapalha na hora de procurar documentação:

AmbienteNome do recursoTermo do agrupamento
LinuxBonding (mode 802.3ad)bond
CiscoEtherChannel com LACPport-channel
VMware ESXiLAG no vSphere Distributed SwitchLAG
Padrão IEEELink AggregationLAG

O que o LACP exige

Antes de sair configurando, alguns pré-requisitos evitam dor de cabeça:

  • Os dois lados falando LACP. Agregação é um acordo. O servidor (ou switch) de um lado e o switch do outro precisam estar no mesmo grupo, com modos compatíveis — nada de um em LACP e outro em estático.
  • Interfaces iguais. Membros do mesmo LAG devem ter a mesma velocidade e o mesmo modo duplex; misturar 1 GbE com 10 GbE no grupo não funciona bem.
  • Switches diferentes pedem MLAG. Se você quer agregar links que vão para dois switches físicos distintos — para sobreviver à queda de um chassis inteiro —, o LACP comum não basta. É preciso MLAG (multi-chassis LAG) ou stacking, que fazem os dois switches se apresentarem como um só para o outro lado.
  • Escolha o hash conforme o tráfego. Se todo o seu tráfego tem os mesmos IPs de origem e destino (o caso clássico de um servidor falando com um único storage), um hash baseado só em IP joga tudo num link. Balancear por portas L4 costuma distribuir melhor nesses cenários.

Compatibilidade também importa: equipamentos muito antigos podem não suportar LACP, e, embora seja padrão aberto, vale testar em laboratório antes de subir em produção — pequenas diferenças de implementação entre fabricantes aparecem justamente na borda.

Perguntas frequentes sobre LACP

O que é LACP?

LACP (Link Aggregation Control Protocol) é o protocolo, definido no padrão IEEE 802.3ad — hoje incorporado ao 802.1AX —, que negocia dinamicamente a agregação de vários links físicos num único canal lógico, o LAG (Link Aggregation Group). O objetivo é somar a banda agregada e ganhar redundância: se um link cair, os demais assumem o tráfego automaticamente.

Qual a diferença entre LACP e LAG estático?

O LACP negocia a agregação com o equipamento do outro lado trocando quadros de controle (LACPDUs); ele confirma que os dois pontos concordam, detecta link que ficou mudo e ativa ou remove membros sozinho. O LAG estático (modo "on") força a agregação sem negociação — é mais simples, mas se um lado estiver mal configurado o problema passa despercebido e vira loop ou perda de pacote.

O LACP multiplica a velocidade de uma única conexão?

Não, e esse é o mal-entendido mais comum. Um LAG de quatro links de 1 Gbps tem 4 Gbps agregados, mas cada fluxo individual (uma transferência, uma sessão TCP) é mapeado por hash para um único link — ou seja, fica limitado a 1 Gbps. O ganho aparece quando há muitos fluxos simultâneos, que se espalham entre os membros do grupo.

A maioria das implementações comerciais permite até 8 links ativos por grupo, e alguns fornecedores admitem links extras em modo standby, que entram quando um ativo falha. Os membros costumam variar de 1 GbE a 100 GbE, desde que todos tenham a mesma velocidade e modo duplex.

Preciso de um switch compatível para usar LACP?

Sim, quando a agregação é entre um dispositivo e um switch: os dois lados precisam falar LACP e estar configurados no mesmo grupo. Para agregar links que vão para switches físicos diferentes, o switch precisa suportar MLAG (ou stacking), que faz dois chassis se apresentarem como um só para o LACP.

O LACP é uma daquelas peças de rede que não aparecem no dia a dia, mas seguram a barra quando um cabo falha ou o tráfego cresce. Se a sua rede tem servidores ou switches importantes ligados por um único link, agregar dois deles já é um ganho de resiliência barato. Só entre no projeto sabendo o que esperar: redundância garantida, banda somada entre vários fluxos — e não um turbo mágico para uma conexão só. Para a referência técnica de balanceamento e redundância, a documentação de EtherChannel da Cisco é um bom ponto de partida.