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O que é Ubuntu?

O que é Ubuntu, qual é a sua contribuição para o ambiente de sistemas operacionais Open Source e quais são as suas principais vantagens.

Gabriel Pedroso11 min de leitura
O que é Ubuntu?

Se você já pesquisou sobre Linux, desenvolvimento web, servidores ou computação em nuvem, certamente esbarrou no nome Ubuntu. É o sistema operacional de código aberto mais adotado no mundo — de servidores em nuvem na AWS e Google Cloud a desktops de desenvolvedores, passando por sistemas embarcados e por computadores pessoais de quem quer uma alternativa gratuita ao Windows ou macOS. A tese em uma frase: o Ubuntu venceu não por ter a tecnologia mais avançada, mas por transformar o Linux em algo previsível, gratuito e fácil de manter — e é essa combinação que faz dele a espinha dorsal de boa parte da internet.

Neste guia você vai entender o que é Ubuntu, para que ele serve, como funciona o seu esquema de versões, como ele se compara ao Windows e se vale a pena usá-lo no seu dia a dia ou na infraestrutura da sua empresa.

O que é Ubuntu?

Ubuntu é uma distribuição do sistema operacional Linux desenvolvida e mantida pela Canonical Ltd., empresa britânica fundada pelo empreendedor sul-africano Mark Shuttleworth em 2004. O nome "Ubuntu" vem de um conceito filosófico africano que pode ser traduzido como "humanidade para os outros" ou "sou o que sou por causa de quem somos todos juntos" — uma referência direta ao espírito de comunidade do software livre.

Vale separar dois termos que costumam se confundir: Linux é o kernel, o núcleo que conversa com o hardware; uma distribuição (ou "distro") é o sistema completo montado em volta desse núcleo, com interface, gerenciador de pacotes e aplicativos. O Ubuntu é, ao lado de Debian, Fedora e Arch, uma dessas distribuições — e a mais popular delas.

Por ser baseado no Debian, o Ubuntu herda uma base sólida e estável, e por cima dela a Canonical adiciona interfaces mais amigáveis, drivers pré-instalados e um calendário de lançamentos previsível. É essa cadeia — do kernel até a sua máquina — que faz o Ubuntu chegar pronto para usar:

1Kernel Linuxo núcleo que conversa com o hardware
2Debianbase estável de milhares de pacotes
3Canonicalintegra GNOME, drivers e polimento
4ReleaseLTS a cada 2 anos ou interim a cada 6 meses
5Vocêinstala e atualiza via APT e snap
Do núcleo à sua máquina: o Ubuntu é o Debian empacotado pela Canonical, entregue num calendário previsível e mantido atualizado via APT e snap.

Para que serve o Ubuntu?

Servidores web e em nuvem

Esta é a aplicação em que o Ubuntu mais se destaca. Ele é uma das distribuições Linux mais usadas em nuvem pública — a Canonical mantém imagens oficiais na AWS, no Google Cloud e no Azure — e é uma escolha comum para hospedar aplicações web, APIs, bancos de dados, containers Docker e clusters Kubernetes. A combinação de estabilidade, suporte LTS e custo zero de licença é difícil de bater para a infraestrutura de um servidor.

Desktop para desenvolvedores

Ubuntu é uma das opções preferidas por desenvolvedores de software. O acesso nativo às ferramentas de linha de comando, o suporte amplo a linguagens de programação e ambientes de desenvolvimento, e a semelhança com o ambiente de produção (que também costuma rodar Linux) fazem dele um espaço de trabalho natural para quem programa.

Desktop pessoal

Para quem quer escapar do Windows sem pagar pelo macOS, o Ubuntu com a interface GNOME é uma alternativa sólida. Navegação na web, edição de documentos, streaming e videoconferência funcionam normalmente. A principal limitação é a compatibilidade com softwares específicos do Windows — como o pacote Office completo, o ecossistema Adobe e alguns jogos AAA (embora o suporte a jogos via Proton/Steam tenha melhorado muito). Para as tarefas de escritório, o LibreOffice e o Microsoft 365 pelo navegador dão conta da maioria dos casos.

IoT e sistemas embarcados

O Ubuntu Core é uma versão minimalista feita especificamente para dispositivos IoT e sistemas embarcados — roteadores, câmeras inteligentes, gateways industriais. Com atualizações automáticas e footprint reduzido, é uma escolha comum para projetos de IoT industrial.

Como funciona o versionamento do Ubuntu

O esquema de versões do Ubuntu é um dos mais fáceis de entender no mundo Linux: o número da versão é a própria data de lançamento, no formato ano.mês. O Ubuntu 24.04, por exemplo, saiu em abril (04) de 2024 (24); o 22.04, em abril de 2022. Cada versão ainda ganha um codinome com duas palavras aliteradas — o 24.04 é o Noble Numbat.

A Canonical segue um calendário previsível, e é isso que separa as duas famílias de release:

  • Versões LTS (Long Term Support): saem a cada 2 anos, sempre em abril de anos pares (por isso terminam em .04). Recebem 5 anos de atualizações de segurança gratuitas, estendíveis para 10 anos com o Ubuntu Pro. São a escolha padrão para servidores e para quem quer estabilidade.
  • Versões intermediárias (interim): saem a cada 6 meses (abril e outubro) e trazem software mais recente, mas têm suporte curto, de 9 meses. Servem para quem quer novidades e não se importa em atualizar com frequência.

Na dúvida, use sempre a versão LTS mais recente disponível: você ganha anos de tranquilidade sem precisar trocar de versão a cada semestre.

EdiçãoPara quemSuporteCadência
Ubuntu DesktopUso pessoal e desenvolvimentoLTS: 5 anos / interim: 9 mesesA cada 6 meses
Ubuntu ServerServidores e infraestruturaLTS: 5 anos (+ 5 com Ubuntu Pro/ESM)A cada 6 meses
Ubuntu CoreIoT e sistemas embarcadosAté 10 anos (com Ubuntu Pro)Acompanha a LTS base
Ubuntu ProEmpresas com necessidade de conformidadeAté 10 anos de patches de segurançaBaseado no LTS

Ubuntu vs. Windows: principais diferenças

CritérioUbuntuWindows
CustoGratuitoPago (licença)
Código abertoSimNão
SegurançaAlta (menor superfície de ataque, menos malware direcionado)Alvo principal da maioria do malware
Desempenho em hardware antigoExcelente (com sabores leves)Limitado
Compatibilidade de softwareLimitada (sem Office e Adobe nativos)Ampla
Curva de aprendizadoModeradaBaixa para o usuário comum
Uso em servidoresDominante em nuvemSignificativo (Windows Server)

Sabores do Ubuntu: além do GNOME padrão

O Ubuntu Desktop usa o GNOME como ambiente gráfico padrão, mas a mesma base tem variações oficiais — os chamados "sabores" (flavours) — que trocam a interface por outra. São úteis principalmente para hardware mais modesto ou para quem prefere outra experiência de uso.

SaborAmbiente gráficoBom para
Ubuntu (padrão)GNOMEUso geral e moderno
KubuntuKDE PlasmaQuem quer uma interface parecida com a do Windows e muita customização
XubuntuXFCEMáquinas antigas ou pouca memória
LubuntuLXQtHardware bem limitado, leveza máxima
Ubuntu MATEMATEInterface clássica e leve

Conceitos básicos para quem está começando no Ubuntu

Terminal

O terminal (linha de comando) é onde o Ubuntu mostra seu real poder. Operações que levariam minutos numa interface gráfica são feitas em segundos por um comando. Não é obrigatório para o uso básico, mas é essencial para administração de servidores e desenvolvimento.

APT e snap — os gerenciadores de pacotes

O APT (Advanced Package Tool) é o sistema que instala, atualiza e remove softwares no Ubuntu a partir dos repositórios oficiais. Para instalar um programa, basta sudo apt install nome-do-pacote; para atualizar tudo, sudo apt update && sudo apt upgrade. Não é preciso caçar instaladores pela internet. Ao lado dele, o Ubuntu também usa o snap, um formato de pacote da Canonical que empacota o aplicativo com suas dependências e recebe atualizações automáticas — conveniente para apps que mudam rápido, como navegadores.

Sudo

No Ubuntu, operações administrativas exigem o prefixo sudo (superuser do). É o equivalente ao "Executar como administrador" do Windows, mas com uma camada de segurança que pede senha e registra tudo o que foi feito com permissão elevada.

Como instalar o Ubuntu

  • Em dual boot com Windows: baixe a ISO no site oficial (ubuntu.com), crie um pendrive bootável com o Rufus ou o Balena Etcher, reinicie o computador pelo pendrive e siga o instalador gráfico.
  • Em máquina virtual: use VirtualBox ou VMware para rodar o Ubuntu dentro do Windows ou do macOS sem afetar o sistema principal — ideal para testar sem risco. Se o conceito de rodar um sistema dentro de outro for novidade, vale entender antes o que é virtualização.
  • Em servidor VPS: a maioria dos provedores (AWS, DigitalOcean, Vultr, Hetzner) oferece o Ubuntu como imagem padrão — em alguns cliques você tem um servidor Ubuntu rodando.
  • No WSL (Windows Subsystem for Linux): se você usa Windows e quer o terminal Ubuntu sem dual boot, o WSL 2 permite rodar o Ubuntu nativamente dentro do Windows 10 e 11.

Perguntas frequentes sobre Ubuntu

O que é Ubuntu?

Ubuntu é uma distribuição do sistema operacional Linux, gratuita e de código aberto, baseada no Debian e mantida pela empresa Canonical. É conhecida pela facilidade de uso e é muito adotada em desktops, servidores, nuvem e dispositivos IoT.

Ubuntu é gratuito?

Sim. O Ubuntu é gratuito para baixar e usar, tanto no uso pessoal quanto no comercial. A Canonical ganha dinheiro vendendo suporte e serviços empresariais (como o Ubuntu Pro), mas o sistema em si não tem custo de licença.

O que significa LTS no Ubuntu e de quanto em quanto tempo sai uma versão?

LTS quer dizer Long Term Support (suporte de longo prazo). O número da versão é a data de lançamento no formato ano.mês. As versões LTS saem a cada 2 anos, em abril de anos pares (como 22.04 e 24.04), e recebem 5 anos de atualizações de segurança. Entre elas, saem versões intermediárias a cada 6 meses, com suporte curto de 9 meses.

Qual a diferença entre Ubuntu Desktop e Ubuntu Server?

O Ubuntu Desktop vem com interface gráfica (o ambiente GNOME) e é voltado para uso em computadores pessoais e estações de desenvolvimento. O Ubuntu Server não instala interface gráfica por padrão, é otimizado para servidores e é administrado pelo terminal, via linha de comando.

Ubuntu é bom para iniciantes em Linux?

Sim. É considerada uma das distribuições Linux mais amigáveis para quem está começando: tem interface gráfica intuitiva, instalador simples, drivers pré-configurados, documentação farta e uma comunidade grande e ativa para tirar dúvidas.

Conclusão

Ubuntu é muito mais do que "o Linux que as pessoas conhecem" — é a espinha dorsal de grande parte da infraestrutura da internet moderna. Para empresas que querem reduzir custos de licenciamento, ter mais controle sobre a própria infraestrutura e trabalhar com tecnologias cloud-native, ele é uma escolha natural. Para desenvolvedores, é o ambiente que mais se aproxima do servidor de produção. E para quem quer explorar o mundo Linux pela primeira vez, é um dos melhores pontos de partida.

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