O que é Ubuntu?
O que é Ubuntu, qual é a sua contribuição para o ambiente de sistemas operacionais Open Source e quais são as suas principais vantagens.

Se você já pesquisou sobre Linux, desenvolvimento web, servidores ou computação em nuvem, certamente esbarrou no nome Ubuntu. É o sistema operacional de código aberto mais adotado no mundo — de servidores em nuvem na AWS e Google Cloud a desktops de desenvolvedores, passando por sistemas embarcados e por computadores pessoais de quem quer uma alternativa gratuita ao Windows ou macOS. A tese em uma frase: o Ubuntu venceu não por ter a tecnologia mais avançada, mas por transformar o Linux em algo previsível, gratuito e fácil de manter — e é essa combinação que faz dele a espinha dorsal de boa parte da internet.
Neste guia você vai entender o que é Ubuntu, para que ele serve, como funciona o seu esquema de versões, como ele se compara ao Windows e se vale a pena usá-lo no seu dia a dia ou na infraestrutura da sua empresa.
O que é Ubuntu?
Ubuntu é uma distribuição do sistema operacional Linux desenvolvida e mantida pela Canonical Ltd., empresa britânica fundada pelo empreendedor sul-africano Mark Shuttleworth em 2004. O nome "Ubuntu" vem de um conceito filosófico africano que pode ser traduzido como "humanidade para os outros" ou "sou o que sou por causa de quem somos todos juntos" — uma referência direta ao espírito de comunidade do software livre.
Vale separar dois termos que costumam se confundir: Linux é o kernel, o núcleo que conversa com o hardware; uma distribuição (ou "distro") é o sistema completo montado em volta desse núcleo, com interface, gerenciador de pacotes e aplicativos. O Ubuntu é, ao lado de Debian, Fedora e Arch, uma dessas distribuições — e a mais popular delas.
Por ser baseado no Debian, o Ubuntu herda uma base sólida e estável, e por cima dela a Canonical adiciona interfaces mais amigáveis, drivers pré-instalados e um calendário de lançamentos previsível. É essa cadeia — do kernel até a sua máquina — que faz o Ubuntu chegar pronto para usar:
Para que serve o Ubuntu?
Servidores web e em nuvem
Esta é a aplicação em que o Ubuntu mais se destaca. Ele é uma das distribuições Linux mais usadas em nuvem pública — a Canonical mantém imagens oficiais na AWS, no Google Cloud e no Azure — e é uma escolha comum para hospedar aplicações web, APIs, bancos de dados, containers Docker e clusters Kubernetes. A combinação de estabilidade, suporte LTS e custo zero de licença é difícil de bater para a infraestrutura de um servidor.
Desktop para desenvolvedores
Ubuntu é uma das opções preferidas por desenvolvedores de software. O acesso nativo às ferramentas de linha de comando, o suporte amplo a linguagens de programação e ambientes de desenvolvimento, e a semelhança com o ambiente de produção (que também costuma rodar Linux) fazem dele um espaço de trabalho natural para quem programa.
Desktop pessoal
Para quem quer escapar do Windows sem pagar pelo macOS, o Ubuntu com a interface GNOME é uma alternativa sólida. Navegação na web, edição de documentos, streaming e videoconferência funcionam normalmente. A principal limitação é a compatibilidade com softwares específicos do Windows — como o pacote Office completo, o ecossistema Adobe e alguns jogos AAA (embora o suporte a jogos via Proton/Steam tenha melhorado muito). Para as tarefas de escritório, o LibreOffice e o Microsoft 365 pelo navegador dão conta da maioria dos casos.
IoT e sistemas embarcados
O Ubuntu Core é uma versão minimalista feita especificamente para dispositivos IoT e sistemas embarcados — roteadores, câmeras inteligentes, gateways industriais. Com atualizações automáticas e footprint reduzido, é uma escolha comum para projetos de IoT industrial.
Como funciona o versionamento do Ubuntu
O esquema de versões do Ubuntu é um dos mais fáceis de entender no mundo Linux: o número da versão é a própria data de lançamento, no formato ano.mês. O Ubuntu 24.04, por exemplo, saiu em abril (04) de 2024 (24); o 22.04, em abril de 2022. Cada versão ainda ganha um codinome com duas palavras aliteradas — o 24.04 é o Noble Numbat.
A Canonical segue um calendário previsível, e é isso que separa as duas famílias de release:
- Versões LTS (Long Term Support): saem a cada 2 anos, sempre em abril de anos pares (por isso terminam em
.04). Recebem 5 anos de atualizações de segurança gratuitas, estendíveis para 10 anos com o Ubuntu Pro. São a escolha padrão para servidores e para quem quer estabilidade. - Versões intermediárias (interim): saem a cada 6 meses (abril e outubro) e trazem software mais recente, mas têm suporte curto, de 9 meses. Servem para quem quer novidades e não se importa em atualizar com frequência.
Na dúvida, use sempre a versão LTS mais recente disponível: você ganha anos de tranquilidade sem precisar trocar de versão a cada semestre.
| Edição | Para quem | Suporte | Cadência |
|---|---|---|---|
| Ubuntu Desktop | Uso pessoal e desenvolvimento | LTS: 5 anos / interim: 9 meses | A cada 6 meses |
| Ubuntu Server | Servidores e infraestrutura | LTS: 5 anos (+ 5 com Ubuntu Pro/ESM) | A cada 6 meses |
| Ubuntu Core | IoT e sistemas embarcados | Até 10 anos (com Ubuntu Pro) | Acompanha a LTS base |
| Ubuntu Pro | Empresas com necessidade de conformidade | Até 10 anos de patches de segurança | Baseado no LTS |
Ubuntu vs. Windows: principais diferenças
| Critério | Ubuntu | Windows |
|---|---|---|
| Custo | Gratuito | Pago (licença) |
| Código aberto | Sim | Não |
| Segurança | Alta (menor superfície de ataque, menos malware direcionado) | Alvo principal da maioria do malware |
| Desempenho em hardware antigo | Excelente (com sabores leves) | Limitado |
| Compatibilidade de software | Limitada (sem Office e Adobe nativos) | Ampla |
| Curva de aprendizado | Moderada | Baixa para o usuário comum |
| Uso em servidores | Dominante em nuvem | Significativo (Windows Server) |
Sabores do Ubuntu: além do GNOME padrão
O Ubuntu Desktop usa o GNOME como ambiente gráfico padrão, mas a mesma base tem variações oficiais — os chamados "sabores" (flavours) — que trocam a interface por outra. São úteis principalmente para hardware mais modesto ou para quem prefere outra experiência de uso.
| Sabor | Ambiente gráfico | Bom para |
|---|---|---|
| Ubuntu (padrão) | GNOME | Uso geral e moderno |
| Kubuntu | KDE Plasma | Quem quer uma interface parecida com a do Windows e muita customização |
| Xubuntu | XFCE | Máquinas antigas ou pouca memória |
| Lubuntu | LXQt | Hardware bem limitado, leveza máxima |
| Ubuntu MATE | MATE | Interface clássica e leve |
Conceitos básicos para quem está começando no Ubuntu
Terminal
O terminal (linha de comando) é onde o Ubuntu mostra seu real poder. Operações que levariam minutos numa interface gráfica são feitas em segundos por um comando. Não é obrigatório para o uso básico, mas é essencial para administração de servidores e desenvolvimento.
APT e snap — os gerenciadores de pacotes
O APT (Advanced Package Tool) é o sistema que instala, atualiza e remove softwares no Ubuntu a partir dos repositórios oficiais. Para instalar um programa, basta sudo apt install nome-do-pacote; para atualizar tudo, sudo apt update && sudo apt upgrade. Não é preciso caçar instaladores pela internet. Ao lado dele, o Ubuntu também usa o snap, um formato de pacote da Canonical que empacota o aplicativo com suas dependências e recebe atualizações automáticas — conveniente para apps que mudam rápido, como navegadores.
Sudo
No Ubuntu, operações administrativas exigem o prefixo sudo (superuser do). É o equivalente ao "Executar como administrador" do Windows, mas com uma camada de segurança que pede senha e registra tudo o que foi feito com permissão elevada.
Como instalar o Ubuntu
- Em dual boot com Windows: baixe a ISO no site oficial (ubuntu.com), crie um pendrive bootável com o Rufus ou o Balena Etcher, reinicie o computador pelo pendrive e siga o instalador gráfico.
- Em máquina virtual: use VirtualBox ou VMware para rodar o Ubuntu dentro do Windows ou do macOS sem afetar o sistema principal — ideal para testar sem risco. Se o conceito de rodar um sistema dentro de outro for novidade, vale entender antes o que é virtualização.
- Em servidor VPS: a maioria dos provedores (AWS, DigitalOcean, Vultr, Hetzner) oferece o Ubuntu como imagem padrão — em alguns cliques você tem um servidor Ubuntu rodando.
- No WSL (Windows Subsystem for Linux): se você usa Windows e quer o terminal Ubuntu sem dual boot, o WSL 2 permite rodar o Ubuntu nativamente dentro do Windows 10 e 11.
Perguntas frequentes sobre Ubuntu
O que é Ubuntu?
Ubuntu é uma distribuição do sistema operacional Linux, gratuita e de código aberto, baseada no Debian e mantida pela empresa Canonical. É conhecida pela facilidade de uso e é muito adotada em desktops, servidores, nuvem e dispositivos IoT.
Ubuntu é gratuito?
Sim. O Ubuntu é gratuito para baixar e usar, tanto no uso pessoal quanto no comercial. A Canonical ganha dinheiro vendendo suporte e serviços empresariais (como o Ubuntu Pro), mas o sistema em si não tem custo de licença.
O que significa LTS no Ubuntu e de quanto em quanto tempo sai uma versão?
LTS quer dizer Long Term Support (suporte de longo prazo). O número da versão é a data de lançamento no formato ano.mês. As versões LTS saem a cada 2 anos, em abril de anos pares (como 22.04 e 24.04), e recebem 5 anos de atualizações de segurança. Entre elas, saem versões intermediárias a cada 6 meses, com suporte curto de 9 meses.
Qual a diferença entre Ubuntu Desktop e Ubuntu Server?
O Ubuntu Desktop vem com interface gráfica (o ambiente GNOME) e é voltado para uso em computadores pessoais e estações de desenvolvimento. O Ubuntu Server não instala interface gráfica por padrão, é otimizado para servidores e é administrado pelo terminal, via linha de comando.
Ubuntu é bom para iniciantes em Linux?
Sim. É considerada uma das distribuições Linux mais amigáveis para quem está começando: tem interface gráfica intuitiva, instalador simples, drivers pré-configurados, documentação farta e uma comunidade grande e ativa para tirar dúvidas.
Conclusão
Ubuntu é muito mais do que "o Linux que as pessoas conhecem" — é a espinha dorsal de grande parte da infraestrutura da internet moderna. Para empresas que querem reduzir custos de licenciamento, ter mais controle sobre a própria infraestrutura e trabalhar com tecnologias cloud-native, ele é uma escolha natural. Para desenvolvedores, é o ambiente que mais se aproxima do servidor de produção. E para quem quer explorar o mundo Linux pela primeira vez, é um dos melhores pontos de partida.
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